quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Soneto III

Dei voltas e voltas na cama
Enquanto dava voltas ao pensamento.
Quantas estrelas tem o firmamento?
Tantas quantas estrelas vê quem ama.

Tantas voltas dei sem conseguir dormir
Que as contei todas imaginando,
E o meu pensamento, sonhando,
Contou as vezes que te vi sorrir.

Mas que falam as estrelas de ti?
Que me dizem do teu sorriso?
Porque não me deixas dormir?

Quando o sono falha sem aviso
E tu me ocupas horas sem fim...
É p'ra os teus sonhos que eu quero fugir...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fado (Será assim)

É assim,
Uma viagem alucinante, irreversível,
Não poderás olhar para trás.
No entanto tudo será invisível,
Tudo será tão rápido e fugaz...
Será assim...
E se te escapa das mãos,
Se não o consegues agarrar,
Então tudo será em vão,
Verás tudo à tua frente a voar.
Será assim...
Sem tirar nem pôr, é isto,
A tua vida, insisto:
Será assim.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Soneto II (Vinho)

Conta-me como foi o teu dia,
Encosta-te um bocado aqui.
Enquanto a noite espera por ti
Ouve o silêncio da madrugada fria.

Bebe um copo de vinho comigo,
Descansa. Amanhã tudo corre melhor.
Deixa que a noite esconda a tua dor.
Tudo passa depois de um copo de vinho.

Ah, como sabe bem este nada!
Este vinho nesta noite gelada
Em silêncios de conversa cruzada.

Todo este sentimento de angústia
Foge com a lua até ser dia.
Este vinho feito do que eu sentia!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Soneto I

Leve como a última pétala
Que cai da flor que te dei.
Leve como o último beijo
Que com saudade te roubei.

Leve, leve. Leve, leve...
Como tudo o que flutua,
Leve como a tua pele nua.
Como a vida -breve.

Que fosse tudo assim,
P'ra tornar tudo mais simples
Quando as linhas não têm fim.

Mas que nada se perca
Nem tampouco fuja de mim,
Que esta saudade já me aperta.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Quero dormir

"Estou cansada, meu amor....
Estou tão cansada,
Desta vida que já não tem saída
Deste ritmo alucinado dos meus pesadelos.
Deixa-me dormir, meu amor....
Para nunca mais ter de ver este sofrimento,
Para nunca mais sentir esta dor que me queima."

Quero dormir
Mas não quero voltar a sonhar.
Quero apenas dormir, sem sentir
O peso dos sonhos presos a ti,
Os pesadelos de uma viagem
Nesse movimento acelerado, sem parar,
Que me leva sempre ao mesmo lugar
E me faz recuar sem coragem...
Quero dormir,
Mas desta vez sem sonhar,
Que eu já não quero mais voltar
Ao lugar dos sonhos magoados.
Quero apenas dormir.
Fechar os olhos cansados
Das noites doridas sem fim,
Dos dias feridos sem sorrir...
Desta vida esquecida, enfim.
Quero dormir.
Esta noite quero ser feliz. E dormir
E não ter mais que voltar
A sonhar naquele lugar.