domingo, 19 de outubro de 2014

Anonimato (Still)

Two feet standinng on a principle
Two hands longing for each others warmth
Cold smoke seeping out of colder throats
Darkness falling, leaves nowhereto go

It's spiraling down
Biting words like a wolf howling
Hate is spitting out each others mouths
But we're still sleeping like we're lovers

Still with feet touching
Still with eyes meeting
Still our hands match
Still with hearts beating

                                       Daughter


Só não te fizeste aqui
Onde nada foi feito. Aqui
A cidade fez-te, Ergueu-se em ti.
Toda a luz se esconde e não te diz as horas,
E o tempo não tem tempo, quando vive
Num relógio em contra-relógio.

Nunca duas mãos se tocaram
Sob uma metrópole em anonimato,
Nem com corpos que ao encosto forçaram,
Nem com olhares ingénuos do acto.

Mas já não sei quem fui
Nem quando vim...

Onde os pés não tocam o chão
E todos os beijos são beijados
E todas as mãos são dadas
E todos gritos são de paixão
E todos os versos são cantados
E todas as vezes que a canção é tocada...

O fumo que nos levita
E o frio que nos move:
Estou aqui enquanto chove,
E aqui enquanto há vida.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Hoje estou assim

Hoje estou assim.
Como quando toda a luz se apaga
E toda a gente se afasta,
Como quando tudo o que é céu escurece.
Ou tudo o que é chega ao fim.
E toda a dor esmurece.

Hoje estou assim
Como tudo o que acaba,
Como tudo o que termina.
Hoje estou como ferido na asa,
Com uma dor que me domina,
E me faz tropeçar em ti.

Hoje estou como quis.
Hoje estou como a noite me quis.
Hoje estou frio como a noite me fez
E contra a vontade do mundo, talvez,
Estou como numca me fiz.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Já viste

Já viste que é por ti que nasce o Sol
Já viste que é por ti que a noite cai
Já viste que é para ti esta canção
Que aqui tudo é tão breve
E então embrenha toda a tua solidão
Não deixes crescer, que tudo cresce
E não volta nunca mais.

Já viste que é por ti que o vento vem
E sopra a ilusão que me arrebata
Já viste que é por ti que o tempo pára
E faz parar o beijo
E então vem dançar comigo
Amarrarmo-nos os dois
Que a noite acaba e depois
Não volta nunca mais.

Vais ouvir as ondas do teu coração baterem
No muro que o embrulha...

Vais ver que nem tudo
Pode se esconder do que já foi
Vais ver que nem tudo já passou
O que foi vida
Já não volta nunca mais.

terça-feira, 5 de março de 2013

Utopia

O dia queima-se, a fogo lento.
Um passo é dado por capítulo
Como se cada movimento
Fosse história sem título:
Versos em branco.
A braseira escorre em pranto
Toda a luz que se apaga,
Sem apressar a memória
-que a minha já é vaga-
De previsão aleatória:
Versos soltos.
O dia em cinzas envolto
Sem apagar nem arrastar
Os contratempos temporais,
Nem sequer acorrentar
Os tropeços irracionais:
Versos a mais.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O erro do dia

Escolhe, foge. Fuga.
Enfrenta, aninha, esmorece
Guarda, recolhe, perdura
Sente, pressente. Esquece.
Remói, consente. Enriquece.
Fraqueja, que somos todos
O erro do dia, e à noite a razão,
Como se ao apagar a luz
Se acendessem em nós candeias,
Somos luz. Fraqueja, então.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pic-nic

a relva molhada, tão relva quão eu poeta
os pés descalços, e o cheiro a terra que nos calça
e em sonhos acordados, estendidos numa toalha aberta
quem houvera pintado tão verde relva, tão fria tarde
que com o rio se perde, em rápidos se vai
tão rápido                   tão rápido
sopra o teu vestido, perdido em tons do vento
qual linha que te possa cintar
qual hino te possa cantar
cem tardes tivesse eu, sem relva e sem ti
sem o sol que me toca, o teu vento me sopra
deambulando              vagueando
e o sol
            lá se põe
                            tarde fria
                                            noite em ti
adormece e cobre os sonhos. noite em ti.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Peter Pan

Querer voltar, querer voltar,
Voltar atrás, voltar ao que era,
Voltar a sentir, só mais uma vez,
Voltar a sentir toda a nudez
E a ingenuidade de quem não espera
Para viver mais um dia
E voltar a trás.
Voltar a trás, a ser o que era,
Que um dia deixei de ser.
Deixar de crescer.

Não mais o frio no peito,
Aperto no coração,
Não mais o sentimento perfeito,
Nem o toque da tua mão;
Não mais o voltei a dizer,
Não mais a palavra que é tua,
Nem o sonho o voltou a ser,
Nem a noite voltou a ter lua.

Voltasse atrás, e de lá eu não saísse,
Ficasse para sempre apreendido
Aos sonhos esquecidos,
E de lá eu não mais saísse.
Voltasse a ser, voltasse a ter,
Voltassem as tardes, voltasse a madrugada,
Voltasse a lua e as estrelas ao céu.

Trago o rio de volta
Trago-te de volta ao meu rio
Trago de volta as memórias
E fico para sempre preso
Ao tempo que já passou.