quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A minha cidade é linda

A minha cidade é linda.
Com as luzes e os fumos da noite,
Do uso diário e da vida
Ardente e flamejante que nela vive,
E com todas as cores sepia,
Monótonas como ela de dia,
Transparecendo uma metrópole,
Que nela esconde uma vila enorme,
Que nos acolhe nos seus braços com carinho
E a ternura só de Lisboa.

Quero isso

Se eu não fosse eu,
Mas se o sonho fosse meu,
Quem sonharia por mim?

Que eu não me conheça, nem conheça onde estou,
Quero apenas conhecer o meu sonho
E quem o sonhou.
Porque é um sonho triste e a beleza é a água
Com que a tristeza se embebeda
Para torná-lo mágoa,
E real e impossível e sonho ao mesmo tempo.

Quem sou eu? Que dor é esta?
Quero o meu sonho de volta,
Que alguém sonhou por mim,
Quero o sonho da tristeza e da beleza sem fim.
Quero isso,
E só isso!
Quero um mar de nada
E um sonho e uma pena
E uma mente lavada
Para que o sonho entre pelo meu ser adentro.

Uma vida inteira pela frente!
Mas é tão vago...
Venha o sonho a mim!
Que eu o tempo paro,
Quando sonho esse meu sonho que alguém sonhou.

Que sonho raro!

E esta dor?
É dor é mágoa é tristeza é amor
É paixão é incerteza,
é dor... Seja o que for!
Não a conheço, não me diz nada.
E é tão suave como as ondas
Em dia de maré agitada.
São tremores apocalípticos que só tremem a minha alma
E o corpo não vacila,
Mas sente a dor de que falo.
É a amargura de um beijo primeiro,
É a despedida do derradeiro
Sentimento que nos mantém vivos
E vai depositando em nós resíduos da sua passagem: Amor.
Que nos faz morrer
Enquanto nos tem por cá.

Por isso quero
O meu sonho de volta,
Que no sonho que alguém um dia sonhou
Não há tempo nem passagens
De amores pelo coração,
Não há dores nem chantagens de vida
Ou ilusão.