Se eu não fosse eu,
Mas se o sonho fosse meu,
Quem sonharia por mim?
Que eu não me conheça, nem conheça onde estou,
Quero apenas conhecer o meu sonho
E quem o sonhou.
Porque é um sonho triste e a beleza é a água
Com que a tristeza se embebeda
Para torná-lo mágoa,
E real e impossível e sonho ao mesmo tempo.
Quem sou eu? Que dor é esta?
Quero o meu sonho de volta,
Que alguém sonhou por mim,
Quero o sonho da tristeza e da beleza sem fim.
Quero isso,
E só isso!
Quero um mar de nada
E um sonho e uma pena
E uma mente lavada
Para que o sonho entre pelo meu ser adentro.
Uma vida inteira pela frente!
Mas é tão vago...
Venha o sonho a mim!
Que eu o tempo paro,
Quando sonho esse meu sonho que alguém sonhou.
Que sonho raro!
E esta dor?
É dor é mágoa é tristeza é amor
É paixão é incerteza,
é dor... Seja o que for!
Não a conheço, não me diz nada.
E é tão suave como as ondas
Em dia de maré agitada.
São tremores apocalípticos que só tremem a minha alma
E o corpo não vacila,
Mas sente a dor de que falo.
É a amargura de um beijo primeiro,
É a despedida do derradeiro
Sentimento que nos mantém vivos
E vai depositando em nós resíduos da sua passagem: Amor.
Que nos faz morrer
Enquanto nos tem por cá.
Por isso quero
O meu sonho de volta,
Que no sonho que alguém um dia sonhou
Não há tempo nem passagens
De amores pelo coração,
Não há dores nem chantagens de vida
Ou ilusão.
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