Há dias em que se finge ser tudo,
Mesmo quando sabemos que no fundo
Não somos metade do que dizemos ser.
E a outra metade mente sem sequer saber
E que tudo o que temos é menos,
Bem menos que aquilo que queremos.
Há dias de luto pela solidão,
Quando fugimos para longe sem razão
Para nos encontrarmos algures perdidos
E termos uns minutos de paz sozinhos,
Quando tudo nos pesa e mói
E pensamos com saudade no que já foi.
Há dias em que se junta tudo,
Somos mais e fazemos luto:
Mais que aquilo que somos
E luto por aquilo por aquilo que um dia fomos.
E julgamos ter tudo e não temos nada
E o silêncio é tudo mas o tudo é nada.
Nesses longos dias distintos,
Eu perdoo-me pelo que sinto,
Que quando sinto ter tudo me valha
Ter um pouco do que se espalha
E que quando me calo para pensar
O silêncio não cale o meu sonhar.
Sem comentários:
Enviar um comentário