O que acontece ao que fica,
Ao que passou?
Quando todo o pó assenta
Na estrada livre de vozes,
E para trás fica o silêncio das atrozes
Madrugadas de relento, da sedenta
Noite sem fim que me rouba o sono.
Quando todo o pó assenta,
Quando o sol se põe e a noite cai,
Quando a minha face arrefece,
Quando a estrada perde a cor.
Quando não sentir mais dor,
Quando não vir a luz,
Quando fechar os olhos e tocar
Toda a velocidade do Tempo,
Toda a velocidade da Idade...
Quando fechar os olhos,
Poderei voltar a sentir
A dor de viver.
Quando todo o pó assenta,
O que acontece ao que fica
Ao que passou?
Poeiras que poisam aqui e ali,
Cheiros que contam-nos por aí.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
Slow down the time
I'm up in the woods, I'm down on my mindI'm building a still to slow down the time
Justin Vernon
Rodeado por todos os lados,Sem caminhos nem fugas nem escapes...E todo este Tempo que me retém, agarradoÀ efemeridade da persistência, sem certezas,Entrega-me como não quero à vida.Quando tudo o que me rodeia é nada,Quando tudo o que me rodeia é tudo,E quando esse nada é tudo e esse tudo sou eu:Tudo se deforma e se pinta em garridasCores mórbidas, sépias, tons de veludo,O vento são suaves fios de linhoQue cortam o tempo em finas fatiasDo percurso da vida.
Ouvi dizer que o vento ia parar de cortar,Que o Tempo ia parar de soprar...Ouvi dizer que se esgotaram os segundos,Nesta floresta encantada de sonhos,Esgotaram-se os dias. Para sempreEsta noite.
Justin Vernon
Rodeado por todos os lados,Sem caminhos nem fugas nem escapes...E todo este Tempo que me retém, agarradoÀ efemeridade da persistência, sem certezas,Entrega-me como não quero à vida.Quando tudo o que me rodeia é nada,Quando tudo o que me rodeia é tudo,E quando esse nada é tudo e esse tudo sou eu:Tudo se deforma e se pinta em garridasCores mórbidas, sépias, tons de veludo,O vento são suaves fios de linhoQue cortam o tempo em finas fatiasDo percurso da vida.
Ouvi dizer que o vento ia parar de cortar,Que o Tempo ia parar de soprar...Ouvi dizer que se esgotaram os segundos,Nesta floresta encantada de sonhos,Esgotaram-se os dias. Para sempreEsta noite.
domingo, 15 de julho de 2012
Exaustão
São momentos como este, turvos,
Que me consomem e me levam à exaustão,
Sons mortos, silêncios escuros...
Oh larguem-me, libertem-me no chão
Queira eu ficar aqui quieto...
Estou exausto. Cansado da ilusão.
Oiço a música, a mesma música de sempre,
A mesma música que me leva e me traz,
A mesma música que aqui me prende.
São momentos como estes,
Em que me sinto exausto
E a insónia toma conta destes
Monstros que me assombram.
Nem a música se cala, nem o sono vem.
E é nesta escuridão em que estou,
Sem forças que me movam;
É neste sufoco em que estou,
Sem nada que me agarre...
E é neste inconformado estado de ser
Em que estou, que tudo me ganha,
E tudo -mas tudo- me cansa.
Estou exausto e cansado e angustiado
Estou assim. E não quero!
Vou antes mudar de música.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Alucinações
Antes de tudo o que é vida,
Antes de tudo o que é meu,
Antes, ainda, de tudo o que já foi,
Existe algo que nunca experimentei:
Sonhos acordado, alucinações,
Exuberantes alucinações...
Sonhar acordado. Quero.
Quero um dia sonhar acordado.
Nunca tive eu sonhos passados.
Quero um dia sonhar acordado.
[In memoriam: Joaquim Simões)
Antes de tudo o que é meu,
Antes, ainda, de tudo o que já foi,
Existe algo que nunca experimentei:
Sonhos acordado, alucinações,
Exuberantes alucinações...
Sonhar acordado. Quero.
Quero um dia sonhar acordado.
Nunca tive eu sonhos passados.
Quero um dia sonhar acordado.
[In memoriam: Joaquim Simões)
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Relógios (O Tempo)
Se soubesse o que me dizem os ponteiros
Deste relógio de parede velho,
Que a cada tic-tac cede segundos,
Cede-se ao tempo, desfaz-se em nada.
Se desses ponteiros eu soubesse a verdade
E o tempo não parasse, ou parasse
Então para sempre, sem remorsos...:
Se parasse, ficariam os sonhos congelados,
Ansiando que o teu beijo os descongelasse;
Se não, ficariam estes sonhos desgastados,
Horas por dormir, à espera que o amanhã chegasse.
O tic-tac já não fala. Que se cale a vida.
Se a vida em tempo se traduz,
Se o tempo na vida se produz,
Faça-se parar tudo.
Possa-se viver para sempre!
Os relógios funcionam,
Mas o tempo não passa.
O que antes estava inteiro
Agora está desfeito.
Deste relógio de parede velho,
Que a cada tic-tac cede segundos,
Cede-se ao tempo, desfaz-se em nada.
Se desses ponteiros eu soubesse a verdade
E o tempo não parasse, ou parasse
Então para sempre, sem remorsos...:
Se parasse, ficariam os sonhos congelados,
Ansiando que o teu beijo os descongelasse;
Se não, ficariam estes sonhos desgastados,
Horas por dormir, à espera que o amanhã chegasse.
O tic-tac já não fala. Que se cale a vida.
Se a vida em tempo se traduz,
Se o tempo na vida se produz,
Faça-se parar tudo.
Possa-se viver para sempre!
Os relógios funcionam,
Mas o tempo não passa.
O que antes estava inteiro
Agora está desfeito.
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