Se soubesse o que me dizem os ponteiros
Deste relógio de parede velho,
Que a cada tic-tac cede segundos,
Cede-se ao tempo, desfaz-se em nada.
Se desses ponteiros eu soubesse a verdade
E o tempo não parasse, ou parasse
Então para sempre, sem remorsos...:
Se parasse, ficariam os sonhos congelados,
Ansiando que o teu beijo os descongelasse;
Se não, ficariam estes sonhos desgastados,
Horas por dormir, à espera que o amanhã chegasse.
O tic-tac já não fala. Que se cale a vida.
Se a vida em tempo se traduz,
Se o tempo na vida se produz,
Faça-se parar tudo.
Possa-se viver para sempre!
Os relógios funcionam,
Mas o tempo não passa.
O que antes estava inteiro
Agora está desfeito.
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