O que acontece ao que fica,
Ao que passou?
Quando todo o pó assenta
Na estrada livre de vozes,
E para trás fica o silêncio das atrozes
Madrugadas de relento, da sedenta
Noite sem fim que me rouba o sono.
Quando todo o pó assenta,
Quando o sol se põe e a noite cai,
Quando a minha face arrefece,
Quando a estrada perde a cor.
Quando não sentir mais dor,
Quando não vir a luz,
Quando fechar os olhos e tocar
Toda a velocidade do Tempo,
Toda a velocidade da Idade...
Quando fechar os olhos,
Poderei voltar a sentir
A dor de viver.
Quando todo o pó assenta,
O que acontece ao que fica
Ao que passou?
Poeiras que poisam aqui e ali,
Cheiros que contam-nos por aí.
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