sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Luzes

Luzes luzes luzes, cores
Céus de fantasia,
Passeios de promessas e desamores,
O chão foge na noite vazia,
E o barulho e o silêncio em mim
Escorregam-me em louvores
E odes triunfais sem fim.

Das luzes à cegueira,
Da cegueira às luzes incessantes...
Resisto apagado a noite inteira
Em flashes fulminantes,
Quando a noite me chama à vontade
E eu vou e regresso por breves instantes.
Escondo-me no escuro da cidade.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

[Sem título]

Nem que a chuva me molhe,
Nem que o céu sobre mim caia,
Nem que o vento me sopre,
Nem que as nuvens me apaguem,
Nem que as ondas me batam,

Eu não me vou mover.

Nem quando o dia sobre mim passar,
Nem quando a noite me arrastar,

Eu não me vou mover.

Até que o teu nome eu repita,
Até que o teu nome eu volte a dizer,

Eu não me vou mover.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pedras salgadas do chão da praia

Pedras salgadas do chão da praia,
Onde me sento e te canto,
Sem canção que seja cantada
Ou melodia que de ti possa falar:
Escrevo sem palavras que se descrevam
Ou que valham o valor que pesam.

Não há nesta praia areia que se levante
Tão alto como a minha voz que calada
Te enaltece, sem murmúrio do vento,
Sem tremores de marés nem ondas,
O meu canto te vai contando
Sem martírios. Linhas minhas vão voando...

Calçada de Lisboa

O sol foge por entre as linhas da cidade
Esconde-se atrás do que está por detrás
Do mais quieto recanto escondido e jaz.
Na eterna melancolia de Lisboa, na eternidade
Da recôndita cidade onde vivo e vagueio,
Perco o sol de vista numa tarde de nevoeiro.

Assim, também eu me perco por ruelas,
Por calçadas e passeios de histórias contadas,
Assim, sem o sol que me ilumine as estradas,
Em romantismo, como noite à luz das velas,
Atraso o passo porque já tudo é tão breve...
Ao menos que me sirva a noite, pois já nada me serve.

Estas linhas que nos conheciam,
Estes becos que te viram dormir,
Já nas calhas de noites esquecidas...
Já não sabem mais de nós.
Tantas pedras, tanta calçada chorada
Por onde passámos os dois,
Perguntam por nós sem saber onde estamos,
Pois nunca mais caminhámos
Pelos caminhos da cidade onde vagueio.

domingo, 12 de agosto de 2012

Sedução

Fora aquelas viagens,
Que me desencaminharam
Por caminhos da sedução
Por noites esquecidas ao luar;
Fora aqueles sonhos,
Irrepetíveis sonhos que tivemos,
Nós fomos e viemos.

Sei que guardei o que pude,
E que trouxe comigo.
Às madrugadas quentes
Às tintas noites de cede,
Brindámos sem esquecer
Que nada vai e volta
Enquanto o dia se solta.

Corremos sem sentido,
Quando nada tem sentido,
Quando tudo é sem sentido...

Que seja!
Pois enquanto for,
Será apenas o que se deseja.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lá se ganha e a Lua vai alta

Lá se ganha e a Lua vai alta.
Enquanto se quer ter a vida
Se perde o que se perdeu,
Se ganha de novo o que existiu,
Se retém o que não partiu;
Se guarda a dor do frio...

Se não queres voltar a sentir,
Esqueces. Não queiras outra vez.
O que a vida te traz de novo
É bênção, é vontade...
É tudo, mais a saudade,
É saber viver com a verdade.

Um dia renascerás.
Um dia voltarás
A reviver o cor do pôr do sol,
A saber o cheiro do luar.
Um dia terás o toque suave
Um dia tocarás tão suave...

Enquanto crescem muros
Enquanto muralhas se formam,
Há vidas que se deformam
E que no Tempo se transformam.
Fechei o coração.
Esqueci o perdão.
Vivo agora , livre, sem razão.

domingo, 5 de agosto de 2012

Pinta o céu

Uma nova luz nasce,
Uma nova cor pinta o céu.
Luz que nasces e pintas o céu
Traz-me a mim a tua vida, pinta o teu céu e o meu.

Só sei viver se te seguir

Estrelas a brilhar
Toda a luz todo o luar
A escuridão e o mar
Cheiros intensos no ar
O tremor sem parar
Uma viagem no mesmo lugar
Uma vontade de não ficar.

Ter tudo o que se quer
Ter tudo sem se querer
Poder finalmente ser
Ter simplesmente o poder
Sugar a vida enquanto der
Não parar nunca de correr
Fechar os olhos e ver.

Estar só na multidão
Estar só sem solidão
Viver sem ambição
Sei que existo sem razão
Sabes que nada é em vão
Ignorar o coração
Sentir a cada pulsação.

Pintar uma miragem
Colorir a tua imagem
Errar sem margem
E os gritos submergem
Paragem
Tropeçar na linguagem
Que uso em cada mensagem.

Não vivo sem sentir
Não vivo sem sorrir
Não vivo sem mentir
Não vivo sem fingir
Só vivo se for a dormir
Só sei às nuvens subir
Só sei viver se te seguir.

sábado, 4 de agosto de 2012

Fiz formas estranhas nas nuvens

Fiz formas estranhas nas nuvens
Enquanto o Sol se punha
E aguardava a luz da Lua,
É de lá que tu vens.

Transformei as nuvens em figuras
Dos meus sonhos de insónias
E acordado receei que viesses,
Noite de Lua cheia, eis que apareces.

Fraquejei a cada movimento,
Hesitei a cada respiração,
Anulei cada arrependimento.
Parei o meu coração.

Tão pura qual ingenuidade
Das nuvens que no céu vi,
Tu chegaste com a Lua em ti,
Qual noite fresca, qual eternidade...

Se eterna fosse esta noite,
Eterna seria a vaidade
Da Lua que nela cai,
Eterna serias tu, que dela vens.